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Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena apresenta Dramaturgia Negra Brasileira nesta sexta

Evento propõe levar discussões sobre a importância e o legado do trabalho de dramaturgos negros no cenário do teatro brasileiro. Aldri Anunciação é o convidado da estreia
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Reconhecer a cultura afro-brasileira em todas as suas vertentes como um importante pilar na construção da sociedade, e valorizar o papel de profissionais negros que contribuíram para pavimentar e consolidar o cenário artístico do país, são assuntos que estarão presentes no “Dramaturgia Negra Brasileira”, evento que terá sua primeira edição nesta sexta-feira, 14/11, das 17h às 19h, tendo a Escola Técnica Estadual Martins Pena como cenário. 

A proposta é da Cia Muntu, encabeçada por Vera Lopes, professora da Rede que, juntamente com Cláudia Marques e  Luiz Cláudio Moutinho são os responsáveis pelas questões raciais que permeiam a unidade. Também estão na equipe, as alunas  Gabryela Borges e Luisa Damásio (formandas) e Stephanie Téttiz (caloura).

“Percebemos que, para além do mês da Consciência Negra, precisávamos revigorar a discussão sobre uma nova linguagem, uma nova estética, um pensamento que a cena brasileira precisa apresentar. Desde os anos 1945, quando o Teatro Experimental do Negro aparece, a gente vai ter uma proposta de linguagem que realmente vai se atentar com a realidade brasileira. Inclusive Augusto Boal, que é um grande mestre criador do método Teatro do Oprimido, no início de sua carreira, vai trabalhar junto a Abdias e é influenciado pelo método do Teatro Experimental do Negro. Temos assim uma nova proposta estética que veio do olhar e do movimento negro que desemboca em nossa contemporaneidade. Mas essa passagem tão importante na historia do teatro brasileiro foi sendo apagada. Todos conhecem o Teatro do Oprimido, mas o Teatro Experimental do Negro, nem todos”,  diz Vera. 

A proposta do evento, que traz Aldri Anunciação como primeiro convidado para lançar o livro “Pretamorphosis” (Ed. Malês), é revisitar e analisar a cena contemporânea brasileira através da produção de dramaturgos negros, conforme explica a professora.

“ A gente sempre reconheceu a cultura afro-brasileira no samba, na capoeira, na festa. Na teatralidade temos inúmeros questionamentos e, graças à atuação cada vez mais proeminente de dramaturgos negros, esse cenário vem sendo refeito. Cada vez mais a podemos conversar e discutir sobre essa nova dramaturgia, sobre essa nova teatralidade que a comunidade negra nos propõe a refletir, enquanto uma sociedade geral. Nossos alunos têm a oportunidade de adquirir maturidade ao longo do tempo que estão conosco, então, trazer autores jovens para discutir, conversar, elaborar, faz com que eles comecem uma reflexão crítica que vai forjar esse profissional, é manter o pensamento vivo dentro desta instituição centenária”, reforça. 

Vinculada à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, a Fundação de Apoio à Escola Técnica conta com 28 anos de existência e 135 unidades distribuídas em todo o Estado. Alexandre Valle, presidente da instituição, celebra a iniciativa do evento. 

“A Faetec é uma instituição plural que tem como principal objetivo oferecer uma formação técnica sólida para seus alunos em todos os segmentos, sejam eles voltados à Ciência, Gastronomia, Saúde ou Artes e, quando temos ações que, além de aprendizagem, provocam reflexões importantíssimas para a nossa sociedade, isso nos eleva a um outro patamar que é o de guiar esse cidadão rumo  um futuro onde o racismo, por exemplo, seja exterminado. Sabemos que este é um longo caminho a ser percorrido, mas é necessário trabalhar nesse sentido”, diz. 

Acolher autores jovens cuja produção já conta com o reconhecimento da crítica, e colocá-los dentro da escola para que os alunos possam entender as construções que podem ser feitas através desse olhar reflexivo é, segundo Vera, docente da Rede desde 2001 um marco para a Martins Pena, uma instituição referência na formação de profissionais para o Teatro.