O estilo imponente composto por corredores espaçosos e colunas à prova de som são apenas detalhes diante da importância do Instituto Superior de Educação que, desde a década de 1930 é um dos principais espaços de formação do estado do Rio de Janeiro. O prédio, tombado pelo Instituto Nacional de Patrimônio Cultural (Inepac), além de ser espaço referência em Educação desde o nível Fundamental ao Superior, já serviu de cenário para produções emblemáticas para o cinema e tv brasileiros.
Administrada pela Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), a escola, que recebe alunos a partir dos 05 anos de idade, celebrou 146 anos com festa no dia 10 de abril, reunindo toda a comunidade escolar no Salão Nobre da instituição. Na ocasião, a professora Leila Dutra foi homenageada junto com educadores e colaboradores já aposentados.

“O Instituto de Educação é um marco para a educação, especialmente porque daqui saíram muitos professores. Desde que a Faetec assumiu a administração da escola, nosso desafio é contínuo para manter a qualidade da educação e formação de todos os nossos alunos”, diz Alexandre Valle, presidente da Fundação que conta com 136 escolas em todo o Estado.
Para a ocasião, Marcelo Sampaio, da direção do Cap Iserj retratou em versos, o significado do legado criado pela instituição, confira:
Hoje o tempo resolveu sentar-se entre nós.
Veio manso, sem pressa,
como quem conhece o caminho de volta para casa.
Os professores e profissionais aposentados chegaram trazendo nos olhos
coisas que não cabem mais nos relógios:
vozes antigas, gestos repetidos,
um quadro ainda com marcas de giz que o tempo não apagou.
Eu vi.
Vi o saber caminhar devagar,
como quem carrega dentro de si muitas salas,
muitos nomes,
muitos mundos.
A Moção de Aplausos não foi feita de mãos batendo.
Foi feita de silêncio cheio.
De memória acesa.
De uma gratidão que não se escreve inteira.
Ali, naquele instante,
o passado não passou.
Ficou de pé, ao nosso lado,
nos ensinando outra vez.
E o presente — esse menino inquieto
parou para escutar.
Talvez seja isso o ISERJ:
um lugar onde o tempo cria raiz,
e a educação floresce devagar,
como árvore que não tem pressa de ser.
Eu agradeço.
Porque hoje aprendi que há mestres
que continuam ensinando
mesmo quando já não estão mais na sala.
E isso não se aposenta.